Ilha de Santana (Parte 1 - Folha do Amapá-06/08/02)
Amapá

Ilha de Santana (Parte 1 - Folha do Amapá-06/08/02)


Frequento bibliotecas e testemunho, em muitas situações, as dificuldades de disponibilidade de materiais relacionados a vários assuntos sobre o Amapá. Anualmente muita coisa é produzida, constituindo-se em um conhecimento precioso que deveria ter ampla divulgação na sociedade (muitas vezes acabam em um engavetamento qualquer, sem se prestar ao papel de contribuição ao conhecimento científico). Veja o caso de tantas faculdades em Macapá... Poderiam e deveriam divulgar o mínimo de informações sobre a produção científica anual (necessariamente disponibilizadas em suas respectivas bibliotecas). Basta atualizar e fornecer tais informações decentemente em seus sites. São apenas divagações...
Procurando, muita coisa pode ser resgatada. Exemplo disto são os textos e recortes de jornais, invariavelmente, boas fontes de consultas. As bibliotecas geralmente disponibilizam uma seção chamada Hemeroteca (formada por recortes de jornais e revistas) e, em uma delas, encontrei este texto referente à Ilha de Santana, assunto de procura em bibliotecas e um destes temas com pouco material disponível. 

Texto pesquisado na Biblioteca SESC-Centro em Macapá referente à uma reportagem publicada no jornal Folha do Amapá, em 06/08/2002. O texto é de Rita de Cássia. Lembrando, as informações referem-se ao ano de 2002.

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ILHA DE SANTANA GUARDA HISTÓRIA 
QUE NÃO SE PERDEU COM O TEMPO

Texto de Rita de Cássia

Distante apenas dez minutos de catraia da sede do município, a Ilha de Santana é uma localidade pacata, com ruas de piçarra, gente humilde e de mãos calejadas, cuja principal atividade econômica é retirada da agricultura e da pesca. Dependente da cidade de Santana, o comércio é representado por pequenas baiucas com vendas de produtos básicos e valor aumentado por causa do frete na travessia. A vila principal da Ilha, longe de ser um lugar preparado ao turismo, mantem o encanto e misticismo de um povo com muitas narrativas para contar.
É possível resgatar nas histórias dos mais antigos moradores crenças e lendas que para os urbanos significam fábula. Eles recordam casos da cobra grande Sofia, fiel mascote da Ilha. O boto, personagem presente e característico da Amazônia, não podia faltar. Os mais velhos acreditam fielmente na existência do homem vestido de branco que nos bailes enfeitiçava, engravidava as moças e retornava à água na forma do boto. E as "fábulas" não param, como em qualquer interior, as matintas pereiras, sereias e também os marcantes personagens humanos são relembrados pelos moradores, capazes de passar horas a fio contando os "causos".
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Ilha de Santana (Foto de Rita de Cássia - Folha do Amapá, 06/08/2002)
Embora, atualmente, o comércio e serviços girem em torno da sede de Santana, a Ilha ainda apresenta os vestígios de um período áureo vivido na década de 60 com o impulso da exportação de madeira. Na época, a Ilha competia com o Porto de Santana, em número de navios estrangeiros e nacionais atracados no ancoradouro.
Era o auge das empresas madeireiras, responsáveis pela grande absorção dos empregos e pelo movimento comercial e econômico da região.
Tempo no qual a primeira igreja definitiva em homenagem a Santa Ana foi erguida. Época em que os padres franceses e alemães e as freiras de Minas Gerais mantinham um orfanato com cerca de cem crianças, onde funcionava ainda a escola, posto de saúde e cursos domésticos.
Com a queda na exportação madeireira, os empresários deixaram a Ilha e o sustentáculo econômico (que ao longo dos anos foi traçado) deu lugar ao abandono e conformismo. Hoje, o que se se retrata em um breve passeio pelas suas margens são os restos de madeira que um dia estruturaram o porto e as ruínas das serrarias e madeireiras, tomadas por tábuas apodrecidas e cercada de mato.
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Escola e Posto Policial (Foto de Rita de Cássia - Folha do Amapá, 06/08/2002)
A história da Ilha de Santana, porém, permanece na lembrança de seus moradores antigos. Gente que mesmo com o advento do telefone e posteriormente da luz elétrica considera aquele tempo o melhor da Ilha. Os 3.500 habitantes (informação de 2002) contam atualmente com duas escolas estaduais até o curso fundamental, um posto de saúde, unidade da Polícia Militar e água da CAESA. Dois campos de futebol fazem a alegria do sexo mascullino, com promoções de peladas e competições entre os times do lugar.

O AÇAÍ DE CADA DIA

Ao meio dia os moradores têm alimento certo: o açaí. A fruta é abundante nesta época do ano e a Ilha é responsável pelo fornecimento de uma boa parte do açaí comprado em Macapá e Santana. Muitas famílias vivem da venda do fruto. As batedeiras são paradas obrigatórias para quem visita a Ilha de Santana.

AS RIQUEZAS DA ILHA

Com 2.114 hectares, a Ilha de Santana tem mais de 15 igarapés que compõem a sua paisagem com grande diversidade de peixes. Há denúncias de pesca predatória com timbó (planta venenosa, cuja folha é batida nos igarapés para matança dos peixes), o que provoca a fuga das espécies para outras águas. Na caça, cutia, capivara, tatu e paca são os pratos principais. Os moradores dizem que tempos atrás havia veado, onça e anta. É possível encontrar também espécies de pássaros silvestres como o tucano, gavião, maracanã, arara, papagaio, periquito, pato do mato, além de outros animais de menor porte. A agricultura é a economia principal dos moradores daquele lugar, tudo o que é plantado é usado na subsistência e vendido nas feiras de Macapá e Santana.

Texto original: Folha do Amapá, 06/08/2002
(Cita ainda alguns moradores locais, de 2002, não referidos nesta postagem)
Material disponibilizado para consultas na Hemeroteca da Biblioteca SESC-Centro, onde muitas coisas importantes podem ser também garimpadas em uma visita e pesquisas.
"As bibliotecas são jardins de livros regados a olhares."
M. M. Soriano

Mais alguma coisa sobre a Ilha de Santana:

Santana teve início do agrupamento populacional em Ilha de Santana, localizada em frente, à margem esquerda do rio Amazonas, em 1753.

Paróquia de N. Srª de Santa Ana, situada na Ilha
(Foto publicada por Emanoel Jordânio no santanadoamapa.zip.net)
"É o berço da civilização santanense, cercando-se da exuberante beleza do Rio Amazonas e testemunhando a passagem de vários navios de grande calado para todo o mundo (levando produtos ou dirigindo-se às diversas localidades do Amapá, Pará e Amazonas).
Possui uma paisagem local de extrema beleza e seus habitantes vivem da caça, pesca e da extração de madeira e látex."
(Texto da publicação "O Poder Municipal do Amapá no Novo Milênio", disponível para consultas na Biblioteca Ambiental da SEMA em Macapá)

Paisagem ribeirinha (Foto de Flávio contente). Realidade recorrente.
Sabias que a Ilha de Santana foi um dos cenários do filme Tainá 3!!! Pois é!!! A previsão de lançamento, segundo o que me informei, será para janeiro de 2013. Ora vivas! Vamos conferir!!!

A Ilha de Santana tem também suas dificuldades, referentes à infra-estrutura, escolas, transportes e água tratada (entre outros).

É só um pouco para divulgação... No dia que eu for lá (não sei quando, nem como) aí sim vou poder viajar na maionese nas imagens e impressões do local. 

Outras informações estão disponíveis nos links:
  • santanadoamapa.spaceblog.com - Mostra um pouco da história da Ilha.
  • santanadoamapa.zip.net - Informações diversas sobre Santana
  • memorial-stn.blogspot.com - Retrospecto histórico dos principais fatos e acontecimentos em Santana-AP.
Praia na Ilha de Santana / Recanto da Aldeia (Foto de Alfredo Rosa Duarte)
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Veja também:
- Ilha de Santana (Parte 2 - Imagens)
- Ilha de Santana (Parte 3 - Impressões) 
- Ilha de Santana (Parte 4 - Comunidade Cachoeirinha)
- Ilha de Santana (Parte 5 - Retornando à Escola N. Srª de Nazaré) 
- Ilha de Santana (Parte 6 - Excursão do MIS-AP) 
- Ilha de Santana (Parte 7 - Atravessando a ilha) 
- Ilha de Santana (Parte 8 - Amazontech e o projeto para escoamento de grãos)    
- Ilha de santana (Parte 9 - Exposição Sinestesias) 
- A Sumaúma da Ilha de Santana 



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